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Amor? #1 Fulano
28 de maio de 2012

Amor? É uma coleção de crônicas amorosas, baseadas em experiência pessoal.

 

Para ler outras crônicas da série Amor?, clique aqui.

 

Não nego, não sei ficar sozinha…

Quando comecei a namorar tinha 14 anos… Ele era o menino perfeito pra uma menina de 14 anos… Nerd, popular e bonito: loiro dos olhos cor de mel! O primeiro namorado dos sonhos!

 

Conheci ele aos nove, fomos muito amigos, estudávamos juntos e no recreio brincávamos de pokémon, eu era o Jigglypuff, ele o Pikachu, uma amiga nossa o Togepi e outro amigo o Charmander… Aos 10 mudei de escola, só nos vimos mais algumas vezes, pois a cunhada dele era amiga da minha mãe, as vezes ele ia lá em casa e jogávamos futebol ou video-game, as vezes ela me levava na casa dele e brincávamos de lutinha, massinha ou ele desenhava pra mim 🙂

 

Aos poucos perdemos o contato, mas aos 11 anos eu estava na mesma escola que ele de novo (mudo muito de escola), mas não nos falávamos, as crianças esquecem rápido dos amigos. Aos doze a amizade voltou mais forte que nunca, começamos um teatro e ensaiávamos todos os dias depois da aula… E então uma amiga um dia me pediu: Eu gosto do fulano, você é muito amiga dele né? me ajuda a ficar com ele?

 

Aos 12 anos você já está começando a reparar que os meninos são bonitos, mas eu nunca me preocupei com isso. Sempre Tive muitos amigos meninos e isso me deixava feliz, me fazia bem, porque as meninas não gostam de se sujar, rolar na terra, brincar de lutinha, jogar video-game até a madrugada. Meninas de 12 anos, pelo menos na minha época (e me sinto super velha, aos 21 anos, por ter que falar assim haha) não podiam sair de casa sem implorar para os pais e serem buscadas e entregues, ficar fora até de madrugada e ter amigos meninos então, estava totalmente fora de questão -pelo menos pra maioria, pra mim nunca foi assim, minha mãe sempre confiou em mim e eu acho que retribuo bem essa confiança! -, enfim… Aos 12 anos, quando ouvi aquele pedido algo aconteceu. O menino que era tão meu amigo, meu melhor amigo, aquele com quem eu passava as tardes e as noites, que me fazia voltar pra casa depois das 22h (nossa vocês não imaginam como isso era tarde pra uma menina de 12 anos andar sozinha por aí!), que me fazia querer ir á escola e deixava meus recreios mais divertidos, se tornou o menino mais bonito que eu conhecia. Eu não podia ajudar minha amiga a ficar com ele pelo simples fato que EU queria ficar com ele.

 

Não, eu nunca tinha beijado e isso era um absurdo! Todas as meninas da minha sala já tinham beijado, ou, se não tinham, mentiam. Eu não era nada mais que a baixinha, gordinha e dentucinha (sim, eu era a Mônica da turma), nerd das notas mais altas, que gostava de video-games,não ia de saia pra escola pra poder correr na hora do intervalo, estudava espanhol, era amiga da bibliotecária, e escrevia uma peça de teatro. As meninas populares me odiavam, os meninos puxavam papo comigo pra ganhar cola e acabavam gostando do meu jeito e ‘cuidavam’ de mim. Sofri bullying, claro, mas quem nunca sofreu que atire a primeira pedra.

 

Mas eu nunca poderia me declarar. A gente era muito amigo e eu não sabia o que tava acontecendo… Pra mim o menino bonito só ficava com meninas bonitas e a menina feia ia ter que esperar um milagre pra, quem sabe, um dia, ficar com um menino feio… É claro que todo mundo sacou que eu estava gostando do fulano, todos os dias comecei a ouvir aquelas brincadeiras dos meninos e ameaças das meninas que também ‘gostavam’ dele.

 

O destino é engraçado e no ano seguinte, tínhamos combinado de estudar de manhã, mas nossas mães nos matricularam a tarde de novo. Fui pra escola reclamando e chamando minha mãe de mentirosa e chata… Ao chegar encontrei o fulano, a mãe dele cometeu o mesmo erro e… Caímos na mesma sala! Conversamos no recreio e decidimos que era melhor ficar a tarde mesmo… No mesmo dia quando voltei pra casa falei que não queria mais mudar pra de manhã de jeito nenhum!

 

O ano foi passando, coloquei aparelho nos dentes e entrei em um curso de teatro. O fulano ainda era meu melhor amigo e eu morria de ciúmes das outras meninas, mas era um ciúme silencioso, nunca falei nada abertamente pra ele. Éramos tão grudados que até os professores começaram a nos chamar de ‘casal 20’, perguntei se ele se incomodava com isso (eu amava!) e com as brincadeiras e insinuações que éramos um casal. Ele disse que não, meu sorriso foi de uma orelha à outra.

 

O tempo foi passando e as brincadeiras aumentando, e também o tempo que passávamos juntos aumentou. Entrei num curso de teatro, pouco tempo depois ele me pediu para perguntar se ainda tinha vaga, perguntei, tinha, marcamos de ir juntos. Esperei por ele a manhã inteira, nervosa, feliz… Ele nunca chegava, até que chegou a hora do curso começar e nada dele aparecer… Triste e atrasada, peguei minha bicicleta e fui…

 

Minha bicicleta estava com defeito no freio… O carro vinha e, mesmo sendo preferência para mim, não parou, aumentou a velocidade e… Só me lembro que, para não ser acertada decidi virar a bicicleta na mesma direção que o carro ia, bati no retrovisor e caí de costas. A mulher não prestou socorro, pessoas que viram o acidente anotaram a placa do carro e, pra minha sorte, havia uma mulher, mãe de uma amiga minha, passando. Eu não senti dor e só pensava em ir pro curso de teatro, estava muito atrasada, mas então ouvi: Vai pro médico menina, tem sangue na sua cabeça, passei a mão e tinha muito sangue.

 

A mãe da minha amiga me levou de carro pra casa, um morador daquela rua guardou minha bicicleta toda quebrada, cheguei e falei pra minha mãe que havia ‘caído’ da bicicleta, a mãe da minha amiga contou o que realmente aconteceu, decidiram me levar ao médico. Minha mãe ligou pro meu pai pra avisar e meu pai nos encontrou no hospital, nunca me senti tão feliz. Sempre amei muito meu pai, mas ele não era muito presente… Ele sair do escritório e ir me ver significou muito pra mim. Foi no hospital que começou a doer. Tive que responder mil perguntas pra polícia e fazer radiografia. Levei 4 pontos na cabeça, o médico que me atendeu foi muito gentil e pediu que não raspassem meu cabelo, mas só o local onde seriam feitos os pontos, ele também pediu para minha mãe não me deixar dormir nas próximas 48 horas, não me lembro de ter sentido dor pior do que a da injeção da anestesia na cabeça. Fui ao IML fazer o exame de corpo delito e depois à delegacia com meu pai, mas não consegui sequer uma bicicleta nova, a mulher era dona de uma creche particular e, parece, esposa de um vereador.

 

Passei dois dias sem ir à escola, ainda sentia dores no ombro e tinha vergonha do meu cabelo, apesar de não se perceber nada do raspado de tão cuidadoso que o médico foi. Meu pai não me deu dinheiro para comprar uma boina e eu minha mãe ficamos muito chateadas com ele.

 

No segundo dia o fulano apareceu na minha casa. Todos já sabiam que eu havia sido atropelada e por isso não estava indo ás aulas. Ele disse que estava preocupado, disse que havia ido à aula de teatro com o pai e por isso não passou em casa, pediu desculpas porque achava que a culpa era dele, do contrário eu não sairia atrasada.

 

O tempo passou e o contato continuava intenso, nossos dias era muito bons e um reclamava com o outro quando este não ia a aula. Eu o enchia de indiretas que gostava dele, ele sempre se fazia de desentendido.

 

Alguns meses depois, no recreio, um amigo nosso veio e me disse: O fulano quer ficar com você! Eu sabia que era mais uma daquelas brincadeiras sem graça e mandei ele catar coquinho. Na sala, por bilhetinhos, o fulano escreveu: O que o menino perguntou pra você no recreio? Eu respondi: ah, nada, mais uma daquelas brincadeiras sem graça do pessoal.

 

Fulano: Mas o que era?

Eu (morrendo de vergonha de contar): Nada, mentira dele, besteira.

Fulano: Me conta!

Eu: Ah, ele disse que você pediu pra ficar comigo, mas eu sabia que era mentira dele, nem respondi.

Fulano: Ah… Mas e se fosse verdade?

Eu: Como assim? Você quer ficar comigo?

Fulano: E você? Quer ficar comigo?

Eu: Se fosse verdade eu ficaria com você… Você quer ficar comigo?

Fulano: Te respondo na hora da saída, longe da escola.

 

Meu coração disparou, não pensei em mais nada durante a aula, as horas não passavam, cinco minutos antes do sinal eu já tinha minha mochila arrumada. Bateu o sinal, saímos, andamos um pouco, lado a lado, tímidos, sem dizer uma palavra um ao outro, até que um amigo nosso se aproximou e decidiu ir embora com a gente. Não era possível conversar daquele jeito, não conseguíamos nem olhar um para o outro tamanha era a timidez, voltei pra casa frustrada.

 

Dias se passaram e nada de uma resposta, eu também não ficava pedindo por uma, tinha vergonha, já tinha me exposto demais confessando que queria ficar com ele… Quase um mês depois, fomos juntos ao teatro, esse nosso amigo também ia conosco, mas nesse dia ele não foi. O fulano tinha passado tão cedo na minha casa eu eu também estava arrumada tão cedo que chegamos ao local do curso e não havia ninguém (sempre tivemos um timing perfeito, gostos em comum e nunca enjoávamos da companhia um do outro). Ficamos lá fora esperando, brincadeira vai, brincadeira vem, estávamos na beira da linha do trem brincando de lutinha quando ele diz: Quem ganhar tem direito a um pedido. Eu ganhei. Podia pedir qualquer coisa, pedi que ele gritasse bem alto na frente de todo mundo que passasse. Ele riu e disse que esperava mais de mim. Falei que não entendi, ele disse que eu podia pedir qualquer coisa, podia ter pedido uma resposta, mas agora era tarde demais. Meu coração disparou de novo, queria pedir isso, mas tive vergonha e meu espírito de criança falou mais alto… Pedi pra trocar meu pedido, ele disse que não valia, mas depois de um lenga-lenga que eu não saberia mais contar pra vocês com detalhes ele virou e disse:

 

Ok, você quer uma resposta, eu te dou uma resposta!

 

Acho que nunca senti algo tão forte em toda minha vida, eu tinha medo da resposta, mas queria ouvi-la, eu tinha esperanças, mas o medo era maior, fiquei muda, paralisada. E ele continuou:

Não, Aime, eu não quero ficar com você…

 

Meu mundo acabou. Ele havia me dado tantas esperanças que eu não podia aguentar, as lágrimas começaram a aparecer nos meus olhos, aqueles segundos antes dele terminar a frase pareciam anos e eu senti que ele era a pessoa mais cruel do mundo. Por que, então, era tão importante pra ele saber se eu queria ou não ficar com ele? Por que ele tocou no assunto se a resposta dele era não? Eu nunca forcei nada, eu nunca pedi nada, era muito mais fácil continuarmos amigos e fingirmos que nenhum dos dois tinha se apaixonado… Ele continuou:

Eu não quero ficar com você porque você não é o tipo de menina pra ficar… Você é especial…

 

Ele também nunca tinha ficado com ninguém! Oras, quem era ele pra falar assim de mim? Se eu quisesse eu podia ser o tipo de menina que eu quisesse! E eu não precisava ouvir isso dele… Não dele… Minhas lágrimas já escorriam, mas eu ainda estava em silêncio, olhando pro nada, escondendo meu rosto. E ele continuou:

Você é o tipo de menina para namorar… Então… Você quer namorar comigo?

 

Eu não sabia o que sentir, as lágrimas começaram a jorrar, queria chorar, queria sentar, queria sorrir, mas fiquei parada…

E então, Aime?

 

Eu só consegui emitir um umhum e dar risada, as lágrimas que no começo eram de dor, se transformaram em alegrias e eu cheguei mais perto dele, mas não fiz mais nada… Ele sorriu e virou-se de lado, olhando para a linha do trem, me virei ao lado dele. Os dois sorriam sem saber o que fazer. Espero que você não ligue, mas não queria contar pra ninguém por enquanto… Tudo bem?

Falei um ok, não importava se não contássemos, o que importava era que eu era agora namorada do menino que eu gostava, do menino que era a pessoa mais importante pra mim, o amigo mais legal, aquele que quando faltava da escola fazia toda a falta do mundo, aquele que dava sentido pros meus dias. Naquela tarde não fui pra aula, minha mãe me chamou para fazer compras, estava inquieta, queria ir pra aula, queria ver meu namorado, mas me contive e achei até que foi melhor assim. Sentir saudades é bom, encontra-lo no dia seguinte e ouvir um: Por que você não veio? Foi melhor ainda.

 

Foi assim o meu primeiro namoro. Ninguém sabia, só nós dois. Não teve beijos nem abraços, nem sequer pegávamos na mão. Não sabíamos namorar, mas não nos importávamos com isso… Era divertido estar com ele, algo tinha mudado pra nós e só pra nós, as brincadeiras continuavam e nós trocávamos olhares secretos quando alguém nos chamava de ‘casal 20’.

 

Um mês depois nós dois fomos escolhidos para representar a escola em uma competição de poesia. Ensaiamos e uma semana antes da apresentação ele viajou para o Paraná. Nunca senti tanta falta de alguém. No dia da apresentação fomos, apresentamos e, enquanto os jurados faziam um intervalo para decidirem o ganhador, fomos lá fora (a apresentação era em um clube) e, quando finalmente ficamos sozinhos (haviam mais dois meninos apresentando com a gente) ele disse que queria me dar uma coisa e tirou do bolso um anel dourado com uma pedrinha mal colocada. Eu lapidei essa pedra no sítio do meu avô, no Paraná, tá meio feio, não sei se cabe no seu dedo, mas queria te dar. Eu coloquei o anel, ficou um pouco largo, mas não importava, eu nunca me senti tão feliz em toda a minha vida, olhei pra ele e disse obrigada, mas esse obrigada quase não saiu, começamos a olhar o clube e nos sentir o casal mais feliz do mundo.

 

Um dia fomos ao cinema assistir Harry Potter e a Câmara Secreta, durante o filme eu me senti a pessoa mais feliz do mundo, estava no cinema com meu namorado. No meio do filme nossas mãos começaram a se aproximar… Encostamos o lado da mão… Ele colocou o dedinho em cima da minha mão, eu gelei, não sabia o que fazer, fiquei parada… Ele finalmente colocou a mão dele em cima da minha. Assim, sem mais nem menos, sem fazer nada demais. Só isso, e ficamos o filme inteiro assim, a mão dele em cima da minha, sem nem olharmos um para o rosto do outro.

Na saída do cinema encontramos uma professora nossa. Ficamos morrendo de vergonha porque ela estava sentada atrás de nós… Tínhamos medo que ela tivesse visto nossas mãos como se houvéssemos feito algo totalmente imoral dentro do cinema.

 

Três meses depois veio o clímax da nossa história. Uma das meninas que ‘gostava’ do fulano resolveu escrever uma carta se declarando, eu fiquei sabendo e pedi pra ele responder logo que não queria nada com ela, falei que não precisava falar que estava comigo, mas que era pra responder logo. Ele me enrolou e eu disse que então era pra ele fazer o que quiser, ele disse que era o que ele pretendia fazer.

No dia seguinte fiquei sabendo que ele havia escrito uma carta resposta para a menina, nunca me senti tão traída em toda a minha vida, perguntei o que tinha na carta, ele não quis me dizer, fugiu de mim a semana inteira e, pela escola, espalhava-se o rumor que ele havia aceitado ficar com ela. Um dia decidi por um fim nisso tudo, tirei o anel e pedi pra uma amiga entrar para ele, que estava fugindo de mim desde aquele dia, com um recado: Ou você vem conversar comigo, ou pegue esse anel de volta.

Ele pegou o anel de volta. Minha amiga disse que ele pegou e jogou na grama do campo de futebol da escola. Eu me senti muito mal, chorei em casa, mas senti que fiz a coisa certa.

 

Um tempo depois a menina começou a espalhar para a escola inteira que, se eu não me afastasse do fulano, iria apanhar, com medo contei para o fulano e ele foi até essa menina e disse que se ela encostasse um dedo em mim poderia ter certeza que nunca teria a menor chance com ele e que ele não iria se afastar de mim nunca. Eu fiquei sem saber o que fazer, apenas sorri e fui embora.

 

Continuamos amigos, não falamos mais sobre o que aconteceu, o papo e o contato diminuiu muito no começo, mas depois voltou ao normal, até que um dia ele me disse: Eu escrevi que não podia ficar com ela porque gostava de outra pessoa.

Eu me senti a pessoa mais idiota do mundo, mas não havia nada que podia ser feito, continuei amiga dele, mas não éramos mais o ‘casal 20’ , as brincadeiras continuavam, claro, porque ninguém desconfiava de nada.

 

Isso foi bom porque, aos treze anos você não está pronta para namorar, não que nosso namoro tenha sido significativo, nem pegar na mão pegávamos, nem sequer nos abraçávamos. Ano seguinte mudei de escola de novo, achei que nunca mais o veria, mas ele me ligou depois do primeiro dia de aula e falou que sentiu minha falta, conversamos muito tempo no telefone e depois ele começou a frequentar minha casa a tarde. O curso de teatro voltou e um dia voltando do teatro perguntei se ele voltaria comigo. Ele disse que não.

 

Continuamos amigos, mas fiz novos amigos na nova escola. Tinha um menino que me chamava a atenção, fiquei muito amiga dele e um dia contei pra um amigo em comum meu e do fulano que estava gostando desse menino novo. Uma semana depois o fulano pediu para voltar a namorar comigo, na frente do nosso amigo e tudo mais! Achei graça, mas aceitei, ele era meu primeiro amor e eu esperei pacientemente por esse dia.
Três semanas depois ele apareceu em casa com o anel. disse que havia se arrependido de jogar no mato e assim que minha amiga deu as costas procurou o anel até encontrar e o guardou.

 

Um mês depois, mesmo sem beijos e sem abraços, a frequência dele a minha casa quase dobrou e minha mãe percebeu e perguntou se eu e fulano estávamos namorando. Eu, morrendo de vergonha, admiti que sim, ela disse que sabia e não ia proibir, mas que eu devia contar tudo pra ela e não podíamos sair sozinhos sem avisá-la pra onde iríamos e muito menos voltar tarde. Falei pra ela não se preocupar, nem havíamos nos beijado ainda, ela sorriu e disse que contaria pro meu pai, que eu não precisava ter medo deles quando quisesse namorar alguém, mas precisava contar tudo.

 

Quando contei pra ele que minha mãe tinha descoberto achei que ele ficaria chateado, pois tínhamos combinado manter segredo, mas ele me respondeu que a mãe dele também já sabia, portanto  não precisávamos mais esconder de ninguém. Com o tempo começamos a andar de mãos dadas em ruas vazias e nos abraçarmos quando nos encontrávamos e quando íamos nos despedir.

 

Um mês depois, ele estava em casa e, um dia, na hora de ir embora, eu o levei até o portão, ele se despediu de mim, me deu um abraço, olhou nos meu olhos, aquela olhada demorada de dois apaixonados e… Me deu um selinho, virou e foi embora sem olhar para trás, eu fiquei parada no portão olhando ele sumir rua abaixo, entrei em casa e fui dormir.

 

Nos beijávamos só de vez em quando, selinhos rápidos, no começo era só quando ele chegava e quando ia embora, depois era só quando estávamos sozinhos… Um dia ele estava no meu quarto, sentado no chão, ao lado da cabeceira minha cama, desenhando, meu irmão jogava video-game, eu estava deitada lendo alguma coisa. Ele pediu para que eu olhasse o desenho dele, olhei , disse que estava lindo, era um dragão muito bem desenhado! Depois ficamos nos olhando por um bom tempo… Nossas bocas se aproximaram e demos nosso primeiro beijo de língua, meio confuso no começo, mas muito especial, consigo fechar os olhos e relembrar cada detalhe…

 

Alguns meses depois éramos um casal normal, andávamos de mãos dadas, saíamos para comer, jogar video-game, jogávamos rpg na casa dele com amigos, nos beijávamos até na frente de amigos (na frente dos pais nunca!), íamos ao cinema juntos, enfim, tudo que um casal de 14 anos podia fazer em casa ou na rua até as 23 horas. Em nosso 1 ano e 8 meses de namoro oficial nunca transamos, não que não tivéssemos vontade, mas sabíamos que éramos muito novos e que não era a hora… Tínhamos muito de uma gravidez indesejada e também não ficávamos sozinhos em casa tempo suficiente para arriscar algo.

 

Seis meses de namoro se passaram e nosso amigo observou que ele nunca havia dito: eu te amo.

Acho que esse é o maior dilema para um casal: a hora de dizer ‘eu te amo’. Nosso amigo pediu pra eu dizer para o fulano que o amava, eu disse, pediu para fulano dizer para mim, fulano desconversou e eu fiquei chateada. Na hora em que os dois foram embora encontrei um bilhete na minha cama, abri e li: Eu te amo sim, não fique chateada.

 

Disso para nos chamarmos de ‘mô’ não demorou, agora não haviam dúvidas, éramos um casal assumido. Quanto mais tempo passávamos juntos mais tempo queríamos juntos, não enjoávamos e raramente brigávamos… E o tempo foi passando.

Fulano era ciumento, o que pra mim era um problema, porque eu tinha muitos amigos meninos, os desentendimentos começaram por causa de ciúmes, mas eu tentava não fazer nada que o desagradasse, até me afastei dos amigos novos da nova escola… Brigávamos e nos acertávamos no mesmo dia.

Fomos até padrinhos de aniversário de quinze anos de uma amiga muito especial para nós! (foto)

 

No fim do ano veio uma bomba… Meus pais se separaram. Decidi morar com meu pai e minha mãe mudou de casa. Fulano mudou um pouco, não parecia gostar que eu visitasse minha mãe, diminuiu as visitas a minha casa, começamos a nos ver menos vezes por semana e era mais eu quem ia a casa dele que ele vinha a minha, Em janeiro ele foi passar o mês no Paraná e quando voltou eu decidi mudar de escola de novo para a escola dele. Foi um ano lindo, estávamos juntos todos os dias, passava as tardes na casa dele e tive muito apoio da parte dele, pois ficava muito sozinha em casa, porque meu pai viaja muito… Mas as crises de ciúme aumentavam cada dia mais e com o tempo ele passou a me controlar.

 

No fim do ano, eu estava indo para a casa dele quando, pela internet, minha mãe não aguentou e contou que havia descoberto que ele me traía… Disse que havia falado com ele para que ele me contasse, que ele tinha uma semana, mas como ele não tinha me contado, decidiu falar.

Desolada, desci até a casa dele, chamei para conversar numa praça lá perto e perguntei se era verdade, ele, sem saber o que fazer, confessou. Me virei e saí andando. ele veio atrás de mim e eu disse: Não, fulano, não me segue, acabou.

 

Chorei, fui pra casa da minha mãe, chorei mais… Ela cuidou da minha transferência de volta para a escola onde eu havia cursado a oitava série… Só o vi mais uma vez, para devolver tudo que ele havia me dado, não gosto de guardar comigo lembranças que me fazem sofrer (e ele também não havia me dado muita coisa: uma camiseta, um urso, um cd, o anel…)-

 

Esses dias conversei com ele no msn, parecia que nunca havíamos deixado de ser amigos, foi bom, foi divertido, quem sabe um dia não jogaremos rpg de novo? Já fazem seis anos, já faz muito tempo que não dói mais… E também… Não sei se era mesmo amor.

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Post por: K-Chan Nhayök




4 Comentários em “Amor? #1 Fulano”


Sara 30-05-2012

Engraçado que quando comecei a ler seu post nem quis saber se ele era grande (o que é, rs), porque a história foi me prendendo até o fim.
Triste quando passamos por tamanha decepção logo com o primeiro amor… Eu nunca vivi meu primeiro amor de verdade, porque apesar do primo dele me dizer que ele gostava de mim, ele nunca se declarou e naquela época eu jamais teria coragem de assumir que gostava dele. Ficamos só assim, na timidez, no fingimento.
Que bom que a todo momento sua mãe se mostrou sua amiga! Acho que essa atitude dela deve ter feito muita diferença.
Traição dói demais, mesmo quando o sentimento que você tem pela pessoa não seja assim tão forte. Mas te admiro por conseguir não guardar mágoa nenhuma.
Que você possa encontrar seu verdadeiro amor, não aquele utópico dos contos de fada, mas alguém que seja companheiro, fiel e leal e possa te fazer sorrir naturalmente sempre.
Ah! Vou postar mais tarde no blog e te indicar um meme (:
Beijo!

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Зарастроика 18-09-2012

¡O conto mais lindo da minha vida! :a25: O que o torna especial é que ele aconteceu de verdade, foi muito lindo, a timidez, a inocência, engraçado mas foi essa novidade & falta de experiência que o tornou único *o* até chorei :22: Apesar do final, terminou muito bem, inesquecível, muito obrigado por ter compartilhado isso, fiquei emocionado ;◡;v

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» Arquivos TAG: Minha primeira vez – Klaryan.com 20-01-2015

[…] O primeiro beijo de língua foi uns 3 meses depois, também com ele, estávamos jogando video-game (pra variar, né dona Aime?) Ele sentado no chão, eu na cama e ele se virou pra me dar um beijo e simplesmente aconteceu… Nenhum de nós sabia beijar, foi romântico e engraçado!  As coisas demoraram pra acontecer, mas foi um namoro bem bonito! Tem post contando nossa história aqui! […]

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Ohara 29-08-2015

O engraçado era que tudo parecia tão perfeito que apesar de eu imaginar um final, separação na certa porque se não talvez estariam juntos até agora.
Depois da separação de seus pais logo veio a sua e a do seu ex. é, talvez não era amor, sei la&de certa forma fiquei decepcionada por causa das crises
de ciume dele, atualmente o que me faz mais ter medo de tentar entrar pra outro namoro e talvez cjegar a um casa,ento possa ser esse ciume louco que
as pessoas andam tendo hj, se tornando quase uma obceção, e a traição também: sua mãe fez certo em te contar, vai-se saber o que teria acontecido se
ela não te contace? não sei. hahh o orcut acabou ano passado e msn, em 2013, perdas grandiosas para a net faz muita falta hj^^ mais só foram duas
escritas né? kissuus^^ e até amanhã! sei la. até mes que vem.

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