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    05/06/10 15:29 30 days, O passado te condena?, Pessoal, Textos e fics 5 Comentários

    O post de hoje faz parte de uma série de posts chamada: Projeto 30 Days, trarei um post novo todos os dias, durante 30 dias!

    Dê uma olhada nos meus posts anteriores também e sinta-se a vontade para comentar naquele que mais te agradar!!! Eu retribuo todos os comentários!

    Para ler todos os posts do Projeto, clique aqui.

    Hoje vou falar do meu cachorro!

    Ganhei o Brutos quando tinha 6 anos, 1997. Ele veio com a irmãzinha dele e era só uma bolinha de pelo negra, minúscula e medrosa. A raça? Mestiço de Doberman, mas mais doce que ele não existia.

    A irmã dele fugiu de casa e eu nunca mais a vi. Ela era serelepe e eu amava brincar com ela. Passava o dia todo jogando bolinha, fazendo carinho.

    Já o Brutos não era muito de brincar, ele tinha muito medo, muito mesmo! Ficava o dia todo escondido de baixo de uns galhos de árvore que haviam no quintal da casa que eu morava. Nem mesmo um gambá o fazia sair de lá, o que fez com que o cachorro ficasse com um cheiro ruim e precisasse tomar banho toda vez que conseguíamos tirá-lo de seu ‘esconderijo‘. Mas quando a irmã fugiu, acho que ele percebeu que iria precisar se aproximar.

    E foi assim, depois disso ele se tornou o melhor companheiro de todos os tempos. Ficava chorando horas a fio quando a gente saía e só parava quando voltávamos, era o terror dos vizinhos. Meigo, carinhoso, não fazia mal nem pra uma mosquinha, fugia até de gato! Mas quando a gente precisava ele tava sempre lá. Um dia um ladrão tentou assaltar uma loja que ficava ao lado da nossa casa e o Brutos o assustou com seu latido forte e cara de bravo, mas só a cara mesmo porque ele era um molenga hehe

    Ás vezes o Brutos me pregava uns sustos e me fazia chorar. É que ele tinha mania de fugir de casa e passar dias sem voltar! Já chegou a ficar uma semana sem voltar pra casa! Quando a gente abria o portão tinha que segurar o Brutos, mas ele ficou um cachorrão grande e forte e ás vezes nossa força era insuficiente e lá íamos nós correr, sem sucesso, pra tentar trazer o Brutos pra casa. Não tinha jeito, ele ia embora e só ia voltar quando desse na telha.

    Uma vez, a gente ia mudar de casa e na hora de sairmos o Brutos conseguiu fugir. Não teve jeito, mesmo com muito choro, fomos embora. Só consegui voltar pra buscá-lo uma semana depois. E não é que o Brutos tava lá, quietinho, tranquilo, guardando a casa antiga como todo bom cachorro? E quando ele me viu, veio pulando, me lambeu, me abraçou. Voltamos juntos pra casa, eu de bicicleta e o Brutos, que passou uma semana sem comer direito, sem cuidado nenhum, correndo e brincando comigo, no maior pique de cachorro filhote, mas ele já tinha cerca dos 6 anos! Pra um cachorro isso é muito tempo!

    Quando meus pais se separaram o Brutos foi, digamos que, um dos motivos pra eu escolher ficar com meu pai. O Brutos ia ficar com meu pai. E eu precisava cuidar dos dois.

    Quando meu primeiro namorado, o primeiro cara que eu tinha amado, beijado, gostado, quando ele me traiu, o Brutos ficou comigo ao meu lado, cuidando de mim, fazendo meu choro parar, me ouvindo. Ele também secou muitos outros choros meus.

    Por essas e outras ele é tão especial.

    O Brutos morreu no dia 06 de junho de 2007, amanhã farão 3 anos. O incrível é que ele morreu no dia do aniversário do meu primeiro namorado. Acho que é pra eu não esquecer de como ele me ajudou com esse ‘problema’ que enfrentei né? Pra eu sempre me lembrar que a gente sempre supera tudo.

    Não foi de doença, foi de velhice mesmo, morreu com 10 anos, tava cansado, nem latia mais, mal erguia a cabeça, mas ainda era o melhor companheiro que alguém poderia querer ter. Um dia antes eu tinha dado banho nele e tava brigando porque ele queria fugir e se sujar, mas deixei. Ele passou a noite fora e voltou de manhãzinha, sorrindo. Aí ficou deitado o dia todo.

    Meu erro foi ter saído aquele dia, fui visitar minha mãe e, quando voltei, o Brutos, que tava na casinha dele, sem conseguir nem levantar direito, havia se ‘arrastado’ até a porta da cozinha e ali ele morreu, esperando que eu abrisse a porta e o abraçasse, como ele sempre fez comigo. Eu não pude abraçá-lo, mas eu faço isso todos os dias, nos meus sonhos. Até hoje eu sonho com ele, sonho que ele volta, sonho que ele não morreu, sonho que ele tá aqui comigo.

    Estou escrevendo esse post, chorando, ainda mais porque amanhã é dia 06/06. Mas também porque eu sei que eu dei o meu melhor pro Brutos e o Brutos deu o melhor dele pra mim.